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5 de março de 2015

5 de março de 2015 por Maria do Céu Barros comentários
Publicação que julgamos ser de interesse para muitos leitores deste blog, com a vantagem de estar dividida por capítulos, descarregáveis da Biblioteca Digital, aborda a temática dos diferentes tipos de migrações: a partida, o retorno, as migrações internas.

"Perspectiva das margens do Rio Douro subindo-se para a Cidade do Porto."
S/d (1ª metade do séc. XIX). Arquivo da APDL.
Como introdução à leitura, escolhemos este excerto, onde se faz a justaposição entre a maneira de ser do "brasileiro", que ainda não o era, quando do Porto partia para o Brasil e o "brasileiro" de torna-viagem.

(...) a barra do Douro vai tornar-se o principal porto de escoamento da emigração oitocentista com origem no vasto "hinterland" de entre Minho e Vouga, mas aonde o lugar prioritário cabia, sem dúvida, ao distrito do Porto. Esta actividade de transporte de emigrantes torna-se tanto mais importante quanto decaem, após as vicissitudes da independência do Brasil, as relações comerciais de origem colonial que animavam um tráfico intenso entre os dois lados do Atlântico. Então, no dizer (reducionista) de Ricardo Jorge, "esta oficina de exportação funcionava em cheio e numa simplicidade pitoresca. O rapaz, que vinha descalço da sua aldeia, vestia a roupa nova de cotim, de jaqueta ao ombro, calçava chinelas de carnaz e cobria-se com o chapéu braguês. A bagagem era a caixa de pinho, comprada na chamada Feira das Caixas, de tamanha que era ali a provisão. No surgidoiro estreito do Doiro, cavado entre ribanceiras empinadas, ancorava a frota de barcas, brigues, escunas e hiates, numa rede de mastros, vergas e cordame, tão cerrada que um bom marinheiro podia atravessar pelos ares este dédalo sem esforço - marinha veleira, mantida pelo tráfico da emigração e pelo comércio reinante com os portos do Brasil".
(...)
No refluxo deste movimento, muitos emigrantes voltam, episodica ou definitivamente. Este mais discreto, procurando fazer passar despercebido o seu infortúnio ou evidenciando a doença que lhe corroeu o corpo e o ânimo. Aquele marcado pelo sucesso, "com o sutaque da fala, indumentado de calças brancas, casaco de ganga, chapeu do Chili, adereçado de cadeia de oiro e anel de brilhantes", num exotismo de modos que o romantismo fixará para sempre, recriando o estereótipo do "brasileiro". Mas, sobretudo no sentido da volta, circularão as "mesadas", os invisíveis correntes, as ansiadas remessas... 



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