Repositório de recursos e documentos com interesse para a Genealogia

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  • Primeiros passos em Genealogia: como começar, onde pesquisar, recursos disponíveis e outras informações.

  • Apelidos de família: de onde vêm, como se formaram.

  • Índices de passaportes, bilhetes de identidade, inquirições de genere e outros.

19 de setembro de 2017

19 de setembro de 2017 por Genealogia Fb comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicamos aqui trabalhos, alguns elaborados por nós, outros por colaboradores que generosamente decidiram partilhar. Trata-se de índices de baptismos, casamentos ou óbitos, de algumas localidades, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas.
Agradecemos ao Joaquim Martins os índices de casamentos de Cabeçudos, Calendário, Esmeriz, Lemenhe e S. Paio de Seide, V. N. de Famalicão. Agradecemos também à Vânia Viegas pelos índices de Ajude, Póvoa de Lanhoso, e de Santa Marta do Bouto.

Rua Nova de Sousa e Porta Nova, Braga

Dica: Clique no nome do livro para o abrir; clique na data para abrir o índice excel
Concelho
Freguesia
Registos
Livro
Datas/Excel
Actualizado
Amares
Santa Marta de Bouro
BaptismosLivro 9 1749 a 1750Completo
Braga
Aveleda
Baptismos
 1580 a 1627Completo
Casamentos
 1577 a 1627Completo
Óbitos
 1579 a 1627Completo
Sequeira
BaptismosMisto nº. 907 1575 a 1651 Completo
CasamentosMisto nº. 907 1594 a 1651 Completo
ÓbitosMisto nº. 907 1587 a 1651 Completo
Guimarães
Caldelas
Casamentos Livro P-158 1569-1645  Completo
Infantas
Casamentos Livro P-467
Livro P-468
1628 a 1655 
1657 a 1729 
Completo
Completo
Ronfe
Casamentos Vários 1566-1920 Vide nota
2
Sande - S. Clemente
Casamentos Livro P-682 1631 a 1714 Completo
Santa Maria da Oliveira
Casamentos Vários 1592 a 1910 Vide nota
2
Póvoa de Lanhoso
Ajude
Óbitos
1752 a 1811
1811 a 1859
1908 a 1911
Completo
Completo
Completo
Famalicão
Cabeçudos
Casamentos
1593 a 1911
Calendário
Casamentos
1631 a 1911 Em actualização
Esmeriz
Casamentos 1611-1911 Completo
Lagoa
Casamentos 1657-1911 Completo
Lemenhe
Casamentos 1609-1911
Seide - S. Paio
Casamentos 1635-1909 Completo
Telhado
Casamentos 1635-1910 Completo
Vila Verde
Prado
(São Miguel)
Baptismos Livro 496
Livro 496A1
Livro 497
1622 a 1645 
1647 a 1656 
1669 a 1678 
Completo
Completo
Completo
Casamentos Livro 496
Livro 496A1
Livro 497
1622 a 1644 
1645 a 1653 
1669 a 1678 
Completo
Completo
Completo
Óbitos Livro 496
Livro 496A1
Livro 497
1622 a 1645 
1645 a 1656 
1669 a 1677 
Completo
Completo
Completo

1 - Livro não está online
2 - Índice foi transcrito da base de dados do NEPS, da autoria de Maria Norberta Amorim; à excepção de algumas correcções pontuais, o índice não foi revisto/completado pelo GenealogiaFB. Poderá conter alguns registos sem a filiação dos nubentes que, no entanto, se encontra nos respectivos assentos.


Originalmente publicado em 22/4/2015
kwADBraga

por MC Barros comentários
Para ajudar no cálculo e demonstração de graus de parentesco, que por vezes aparecem mencionados nos registos de casamento, fizemos uma tabela numa folha Excel que aqui partilhamos.

Para saber mais sobre graus de parentesco sugerimos a leitura do texto do João Ventura no tombo.pt.



As instruções são simples: substituir os N pelos nomes dos contraentes, avós, bisavós e trisavós. A folha já vai formatada para impressão, caso desejem imprimir.
Clique aqui para aceder ao ficheiro.

A pedido de alguns leitores, fizemos outro esquema com 10 gerações. A visualização não é tão boa, mas tem a vantagem de também poder ser usada para vários fins.


Originalmente publicado em 5-8-2016

4 de setembro de 2017

4 de setembro de 2017 por Paula Peixoto comentários
Como é do conhecimento geral, a emissão de certidões do Registo Civil pode ser requisitada em qualquer conservatória. Na página do Instituto de Registos e Notariado, encontram as listas das conservatórias dos concelhos de Lisboa, Porto e Vila Nova de Gaia. Estas listas incluem as datas dos livros paroquiais que cada uma possuí.


Para mais informações sobre pedidos de certidões, consulte este artigo.

kwADLisboa, kwADPorto
por Manuela Alves comentários
A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE GENEALOGIA é uma associação cultural sem fins lucrativos, e tem por principal MISSÃO: incentivar e apoiar a investigação, estudo e divulgação da Genealogia em Portugal, na sua inter-relação com a História, a Sociologia e a Demografia, e a defesa e conservação de patrimónios documentais públicos e privados.
Fonte http://www.genealogia-pt.com/pt02.htm 



A Revista Raízes & Memórias, é uma publicação da Associação Portuguesa de Genealogia, tem o  preço de 45, 00 € e encontra-se à venda na Livraria Férin, em Lisboa, e on line em  livrarias especializadas em genealogia. Pode ainda ser consultada em Bibliotecas Públicas.

Porque julgamos  muito útil a sua divulgação, depois de o termos publicado no grupo do Facebook, aqui divulgamos o Índice Geral das revistas 1 a 32, para memória presente e futura.


Índice Geral Revistas 1 a 29  (pdf)

Índice da Revista n.º 30 (a aguardar dados)

Índice da Revista n.º 31

  • «Editorial – Da “Genealogia” à “História Local”»;
  • «”In Memoriam” – Duarte Nuno do Vale e Vasconcelos», por Fernando d’Abranches Tavares Correia da Silva;
  • «”In Memoriam” – Dr. Francisco António de Simas Alves de Azevedo», por José Filipe Menéndez;
  • «Uma Família Inglesa em Viana do Castelo – Os Norton de Dartmouth», por Nuno Miguel Marques Barata-Figueira e Luís Miguel Pulido Garccia Cardoso de Menezes;
  • «Herança de Família», por Lívio Correia;
  • «Sepulturas Armoriadas do Claustro do Convento de Nossa Senhora dos Remédios – Évora», por António Rei;
  • «A Origem dos Mendes Barata da Longra – A Provável Ligação duma Família Pampilhosense aos Baratas de Oleiros», por Pedro Amaro e Nuno M. Barata-Figueira;
  • «Sobre uma Tipologia de “Erros” nos Registos Paroquiais Relativos a Cristãos-Novos em Processo de Redefinição do Seu Estatuto Social – Um Caso Paradigmático na Vila de Redondo», por Luís Projecto Calhau;
  • «Uma Breve Abordagem à “Casa-Chefe” dos Araújo Cerveira – A Linhagem dos Primeiros Senhores do Prazo e Quinta da Pena na Minha Ascendência Paterna», por Maria Francisca Martins;
  • «A Quinta dos Aciprestes e o Pátio dos Giraldes», por Diogo de Azeredo Barata de Tovar;
  • «A Ascendência Açoriana de Eça de Queiroz», por António de Ornelas Mendes;
  • «Os Sousa Prego – Percursos duma Família: Das Origens Colarejas à Principalidade Sintrense», por José Filipe Menéndez;
  • «Pindela – Influências das Pessoas e do Tempo», por João Afonso Machado;
  • «SUSSURROS DA MEMÓRIA – Uma Teia de Cristãos-Novos: Percursos Labirínticos na Genealogia da Família Estrela (Diogo Mendes Pereira – Entendendo as Teias… Os Fios… Os Laços…)», por Maria David Eloy;
  • «Notas Genealógicas da Herdade de Alvares», por Nuno Miguel Marques Barata-Figueira;
  • «Um Episódio das Guerras Liberais em Lourosa (E Sua Extensão a Balocas, Vila Pouca e Avô), por Maria José Borges Valentim e António Alves Borges;
  • «A Origem dos Quintanilhas em Portugal», por Vasco Quintanilha Fernandes;
  • «Os Zuzarte Maldonado, do Alto Alentejo (II) – Velhas Raízes Genealógicas», por João Baptista Malta;
  • «O Vínculo da Capela de São Simão do Bunheiro e a Família Ruela do Concelho de Murtosa», por Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes;
  • «A Comenda de São Miguel de Coja na Ordem de Cristo, nos Séculos XVI e XVII – Laços e Nós, Genealógicos e Sociais»; por Fernando d’Abranches Tavares Correia da Silva;
  • «Relação das primeiras Alunas do Instituto de Odivelas (Infante Dom Afonso)», João Manuel P. Pessoa de Amorim; e
  • «”Ex Libris” de Sócios da A. P. G.», onde se dá conta da nova marca de posse do associado João Francisco Coelho da Fonseca Barata, da autoria do Mestre Segismundo Pinto.


Índice da Revista n.º 32

  • Editorial – Genealogia e Direito Nobiliárquico; José Carlos Soares Machado.
  • A família Duarte Rebelo de Sousa – Alguns Costados Inéditos; Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes & Nuno Miguel Marques Barata-Figueira.
  • Contributo para a genealogia do poeta palaciano Anrique da Mota; Luís Projecto Calhau.
  • Numeramentos na Idade Média em Portugal – Dificuldades na execução; João Silva de Sousa.
  • Uma varonia milenária: Os Souza Coutinho; Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes.
  • Melo Coutinho, de Darei – Clarificação genealógica; António Manuel d’Albuquerque Rocha Gonsalves.
  • Padre Teodoro Ferreira Jácome – Percursos de uma vida – Desde o Baixo Mondego a Terras de Vera Cruz; José Filipe Menéndez.
  • Antroponímia – Esboço de Estudo – Freguesia de Nossa Senhora das Areias, Distrito de Leiria – 1800-1850; Rui do Amaral Leitão.
  • Azevedos da Ponte de Sor; Alice Lázaro.
  • A família Homem-Telles da Beira; Pedro Teles.
  • A Carta de armas quinhentista de Fernando Maldonado: do Alto Alentejo a São Petersburgo; João Maldonado Correia.
  • O lugar do Burgueto na freguesia de Sousa; Lívio Correia.
  • Correia Ferreira Homem – Subsídios para o Estudo da Sociedade na Vila de Cabrela, no 5º Centenário do seu Foral – Cabrela – Montemor-o-Novo (séc. XVII / XIX); Luís Jaime Rodrigues Martins.
  • A comenda de São Miguel de Coja na Ordem de Cristo, nos séculos XVI e XVII – Laços e Nós, Genealógicos e Sociais; Fernando d’Abranches Tavares Correia da Silva.
  • Relação das primeiras alunas do Instituto de Odivelas (Infante D. Afonso); João Manuel P. Pessoa de Amorimm.
  • I Tertúlia Genealógica em Castelo Branco; FATCS:
  • O Arquivo Distrital de Castelo Branco – Quem somos e o que fazemos?; Maria Clara Baptista Beato Fevereiro.
  • Notas sobre a construção do Palácio de Rafael José da Cunha em Castelo Branco – O Palácio dos Cunhas; Leonel Azevedo.
  • Grandes vultos do distrito de Castelo Branco; António de Mattos e Silva.
  • Ligações familiares aos Cardoso de São Martinho de Mouros – Os Cardoso Frazão, os Barata de Castilho, os Barões de Castelo Novo, os Cunha Mota e os Viscondes de Oleiros; Nuno Miguel Marques Barata-Figueira.
  • Vice-Reis da Índia na Ascendência da Família dos Barões de Castelo Novo; Fernando d’Abranches Correia da Silva.
  • A complexidade do universo familiar cristão-novo – Teias, fios e laços genealógicos; Maria David Eloy.
  • TnT – Temas na Tertúlia: – 2015.
  • Notícias do ano de 2015.
  • Estante.
  • Movimento Associativo.
  • Índice geral de Raízes & Memórias até ao n.º 31.
  • Estatutos da A. P. G.
  • Lista de Sócios.

28 de agosto de 2017

28 de agosto de 2017 por MC Barros comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicam-se aqui Índices de baptismos, casamentos ou óbitos, do distrito de Viseu, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas. Abrimos este distrito com alguns índices de baptismos da freguesia de S. Cristóvão de Nogueira, Cinfães, elaborado por Cândida Vasconcelos Ferraz, que generosamente aqui os partilha. Os nossos agradecimentos também à Isabel Andrade pelo índice de Almacave e ao António José Mendes pelo índice de Ferreiros de Tendais.



Dica: Clique no nome do livro para o abrir; clique na data para abrir o índice excel
Concelho
Freguesia
Registos
Livro
Datas/Excel
Actualizado
Cinfães Ferreiros de Tendais
CasamentosVários1583 a 182628/08/2017
S. Cristóvão de Nogueira
BaptismosVários1907 a 191107/11/2016
Lamego Almacave Casamentos Livro 1732 a 1770 29/08/2016

Originalmente publicado em 29/08/2016

kwADViseu

15 de agosto de 2017

15 de agosto de 2017 por Genealogia Fb comentários

Por Madalena Campos

Sabia-me uma mulher ligada ao Rio Guadiana e seus afluentes, por genealogia materna, conhecendo muitas das suas aldeias e vilas.

Da genealogia paterna, Escurquela, em Sernancelhe, Beira Alta, era a referência, juntamente com as vizinhas Fonte Arcada e Riodades. Todas as outras terras que vi citadas nos assentos paroquiais, como lugares onde nasceram e viveram os avós mais distantes, foram surpresa e levaram-me a sentir um desejo incontido de as visitar.


Mal sabia eu que o Rio maravilhoso que me habituara a amar no Porto, era, afinal, junto com vários afluentes, tão meu como o grande Rio do Sul. 
O Alto Douro de Peso da Régua, Vila Real, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Lamego, Armamar, Tabuaço, São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa, afinal pertence-me, tal como ainda em Cinfães, Ferreiros de Tendais. 

Pensava ainda que o meu Mar era a Sul, desde a Albufeira natal até Vila Real, onde o Guadiana tem a foz. 
Acrescentei o mais encapelado Mar de Aveiro, cidade onde, na Rua Direita, viveram durante gerações alguns avós.
Juntei o Mar ao largo de Lisboa, capital onde bem no seu centro, viveram outros.

À ideia de que a Espanha fronteiriça que me dizia respeito era andaluza acrescentei a certeza de que a Espanha do Douro Internacional é raia que me toca também, lá para Freixo de Espada à Cinta.

A Forte, Farta, Fria, Fiel e Formosa Guarda e seu termo também vieram inscrever-se-me na pele.
Guimarães, que me encanta.
Póvoa de Lanhoso, que ainda não visitei.

Há dois Verões que o meu coração me leva a percorrer estes destinos, com a vontade de sempre regressar, com Escurquela a exercer o seu forte apelo, onde tenho bebido, com sede, junto dos poucos parentes da geração da minha avó e meu pai que ainda aí se encontram, informações fulcrais para seguir alguns ramos.
Neste lugar, ainda mais que nos outros, a emoção toma conta de mim, parece que os pássaros surgem em bando para me saudar com o seu canto, os aromas ficam mais enebriantes só para mim, o Rio que ali passa sussura-me segredos, as pinturas belíssimas do tecto da Igreja ganham todo o seu esplendor à minha entrada.


14 de agosto de 2017

14 de agosto de 2017 por Genealogia Fb comentários

Por Isabel Roma de Oliveira

Entrei na genealogia por acidente em 2005, quando morreram, no espaço de um mês, os meus avós paternos. Desse meu avô herdei inúmeros textos e fotografias, sendo que ele já guardava outros textos dos seus avôs. E assim comecei.


Quinta da Veiga, Padim da Graça

Entre inúmeras gavetas e baús encontrei um texto que fazia referência a uma casa cuja fotografia eu já conhecia. Era a Quinta da Veiga, casa dos avós maternos do meu avô, em Padim da Graça. Nessa casa passavam férias os filhos e os netos do casal José Dias Gomes Braga e Maria Amélia de Faria Couto Gomes Braga, meus trisavós. A fotografia parecia dum local idílico e a descrição acentuava o mito. Em 2006 aventurei-me à procura da casa. Fui a caminho de Braga, depois Tibães, Padim da Graça. Encontrei-a quase sem procurar, numa curva do caminho, um pouco mais “baixa”, porque o nível da estrada subiu bastante. Mas era a tal! Ainda se apresenta imponente, com uma grande fachada lateral, um portão frontal face à estrada e a famosa ramada. Imagino o que terá sido numa época em que a construção era mais escassa.

(fotos: 1876/ 2006)

Casa da Ribeira, Porto

A “mais alta casa de Cimo de Muro”, como toda a gente da família lhe chamava, era a casa dos avós paternos do meu avô paterno. Lá nasceram todos os 16 filhos dos meus trisavós. Lá nasceu o meu avô e os seus 2 irmãos. A casa tem estado toda a minha vida em frente aos meus olhos, mas nunca lá tinha entrado, até ao ano passado. Foi vendida depois da morte do meu bisavô, em 1961, e foi transformada num bloco de apartamentos. Recentemente foi novamente vendida e transformada num hostel. Quando me apercebi, marquei lá encontro com uma prima, trineta, como eu, dos primeiros donos. Pedimos permissão, explicando a nossa história, e visitámos, comovidas, uma casa cheia de memórias nossas, mas não vividas por nós!

(fotos: c. 1860 / atualidade)

Casa da Cisterna, Alfanzina, Lagoa

A Casa da Cisterna começou a ser construída em Maio de 1943, pelo avô materno da minha mãe, num terreno chamado Alfanzina. Originalmente, a parte de Alfanzina pertencente à nossa família, era dos bisavós do meu bisavô, que foi quem veio a herdar a propriedade.

Na empreitada de construção estiveram envolvidos dois pedreiros e o meu bisavô, na época com 33 anos, e que era o responsável por todos os trabalhos. No fim da obra foi ainda contratado um carpinteiro, para executar portas e janelas. Mas os trabalhos acabaram por envolver toda a família. O meu bisavô passou 6 meses a amassar barro, o que lhe valeu a alcunha de “Barrento”. Parte desse barro servia de cola às pedras (decorria a II Grande Guerra, pelo que não havia cimento em Portugal), outra parte era depois colocada em formas, pela mão da minha bisavó, e posta a secar, para fazer os tijolos. As paredes da casa chegavam a ter 50 cm de largura, o que tornava a casa muito fresca. A massa do reboco era uma mistura de cal e areia. No ano da construção toda a parte de trás da casa, virada a Nordeste, ficou rebocada e caiada. A frente ficou em bruto, com um reboco tosco, e só em 1958, aquando da construção do armazém, se aplicou o reboco final e se pintou com a característica cor azul-mar.

A família, à época constituída por pai, mãe e duas filhas, veio habitar a nova residência no final de Outubro de 1943, quando foi concluída a primeira fase da construção. Nessa altura a habitação era composta por uma casa de fora (divisão semelhante a um hall, mas maior e com outras funcionalidades), uma cozinha e um quarto, à direita. Frente à casa de fora surgia um corredor que ligava ao quarto principal e à sala de família, e que terminava na porta principal da casa, virada a sueste e ao mar. No telhado, com acesso pelo lado sudoeste, havia um sótão que servia de palheiro. No início de 1944 foi construída a alpendorada para a burra, o galinheiro e instalações para os coelhos, bem como um quarto de arrumos, que servia de armazém, e que ficava ao fundo da alpendorada. No ano de 1947, em Abril, construiu-se a cisterna. Em 1958, ano em que os meus avós se casaram, foi acrescentado à casa um armazém, no lado da estrada, o que permitiu transformar o quarto de arrumos noutro quarto de dormir. Em 1963 a casa adquiriu o aspeto com que permaneceria por muitos anos, com a construção do alpendre, onde ficava a casa de banho e o forno. A casa de banho era constituída por uma sanita (com ligação a uma pequena fossa) e por um chuveiro manual (basicamente composto por uma balde terminado em chuveiro, que se enchia com água fervida ao lume, elevava-se com a ajuda duma corda e abria-se e fechava-se com uma pequena manivela lateral; o escoamento da água do chuveiro era direta para a rua). Frente ao alpendre existiam ainda uma pocilga e uma estrumeira.

Quando o meu bisavô morreu, a 5 de maio de 1980, a minha bisavó ficou na casa. Como não existiam números de portas, algumas casas tinham nomes, para facilitar a identificação. A nossa casa não tinha... Por essa altura, o carteiro decidiu nomeá-la Casa da Cisterna, devido ao grande impacto que a cisterna de 1947, ao fundo do enorme eirado, causava em quem descia em direção à praia. Em todos os envelopes e postais vinha escrito, de lado, com letra tosca, o nome que a casa adquiriu. E nós passámos a dar a morada com o batismo do carteiro incluído! A 29 de Outubro de 1998 a minha bisavó morreu, sendo que a casa passou a pertencer aos meus avós. Em Julho de 2004 terminaram as obras de recuperação e ampliação. Este foi, e será para sempre, o meu paraíso!

(fotos: 1956 / atualidade)

kwADBraga, kwADPorto, kwADFaro

12 de agosto de 2017

12 de agosto de 2017 por MC Barros comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicamos aqui trabalhos, alguns elaborados por nós, outros por colaboradores que generosamente decidiram partilhar. Trata-se de índices de baptismos, casamentos ou óbitos, de algumas localidades, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas.


Fonte


Concelho de Alenquer
Freguesia de Abrigada - Casamentos 1723-1799 - por José Mariz
Freguesia de Abrigada - Baptismos 1723-1799 - por José Mariz

Concelho de Arruda dos Vinhos
Freguesia de Arranhó - Casamentos 1656-1750 - por Levi Redondo Bolacha

Concelho de Cadaval
Baptismos, Casamentos e óbitos das freguesias de Figueiros, Peral, Vermelha, Lamas, Cadaval  - Índices incompletos, por António João Martins Borralho. 

Concelho da Lourinhã
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1657 a 1702 - por Isabel Andrade
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1702 a 1762 - por Isabel Andrade
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1767 a 1837 - por Isabel Andrade
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1838 a 1854 - Por Isabel Andrade
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1860 a 1867 - Por Isabel Andrade
Freguesia de Reguengo Grande - Casamentos 1867 a 1905 - Por Isabel Andrade

Concelho de Mafra
Freguesia de Igreja Nova - Casamentos 1730 a 1784 - por José Azevedo



Originalmente publicado em 5/4/2016
kwADLisboa
por MC Barros comentários
De acordo com o princípio que norteou a criação deste blog, publicamos aqui alguns trabalhos elaborados por colaboradores para seu uso próprio e que, generosamente, decidiram partilhar. Trata-se de índices de crismas, baptismos, casamentos ou óbitos, de algumas localidades, muito úteis para quem pesquisa nessas zonas.
O nosso agradecimento à Eva Marques que disponibilizou os seus índices de Gondomar e Vila Nova de Gaia, a José António Reis pelos índices de Marco de Canaveses, a Álvaro Holstein e Marcelina Gama Leandro pelos índices de Santo Ildefonso, a Joaquim Martins pelo índice de Santa Marinha e Estela.




Concelho  Freguesia Registos Datas
 Gondomar  Covelo  Óbitos Adultos  1901 - 01/1911
 Foz do Sousa  Óbitos Adultos  1901 - 1911
 Marco de Canaveses  Alpendurada  Crismas  23-2-1588
 Ariz  Crismas  26-6-1677
 Penhalonga  Crismas  1-11-1592
 Sande  Casamentos  M1 - 1588 a 1683
 Casamentos  M2 - 1683 a 1710
 Casamentos  M3 - 1710 a 1729
 Crismas  2-11-1592
 Crismas  11/11/1620
 Crismas  15/10/1606
 Porto Sto Ildefonso  Baptismos  1840 - 1849
 Casamentos  1850 - 1859
Lordelo do Ouro Baptismos, Casamentos, Crismas e Óbitos (BD)  1590-1750
 Póvoa de Varzim Estela  Casamentos  1627-1875
Laundos  Casamentos  1591-1892 
 Vila do Conde   S. João Baptista  Baptismos  1535 - 1551
 Óbitos  1595 - 1637
 Óbitos  1638 - 1640
 Vila Nova de Gaia Vilar do Paraíso  Óbitos Adultos  1903 - 03/1911
Santa Marinha  Casamentos  1587-1902

Originalmente publicado em 10/10/2014

kwADPorto

9 de agosto de 2017

9 de agosto de 2017 por Manuela Alves comentários
Quando descobri, nos registos de casamento de 1851 da freguesia da Sé, o segundo casamento do pai da minha trisavó Ana Olinda de Lemos deparei-me com uma história familiar que me remeteu para o ano de 1833 e para um episódio vivido durante o Cerco do Porto.

Aguarela de Alfredo Roque Gameiro



Conta-nos Júlio Joaquim da Costa Rodrigues da Silva [1], que no dia 1.° de Janeiro de 1833 chegou à barra do Porto a expedição do general Solignac com o seu estado-maior e 200 belgas vindos de Ostende via Falmouth na Inglaterra. Estas zonas já tinham sido contaminadas pela epidemia de cólera e durante a viagem declararam-se a bordo casos da moléstia. Avisado o ministério e D. Pedro IV do que se passava, foi enviada uma ordem ao inspector de saúde do exército para inspeccionar o navio, informar de imediato o que encontrasse e proibir, se necessário, o desembarque. Inexplicavelmente este foi autorizado e realizou-se na Foz. Os doentes, transferidos para os hospitais militares do Porto, propagaram a doença para a população civil, a partir do bairro de St.° Ildefonso, onde viviam as lavadeiras dos referidos estabelecimentos.

As deficiências alimentares resultantes do cerco e as péssimas condições higiénicas ajudaram à progressão da epidemia que atingiu o máximo em meados de Fevereiro, mantendo-se estacionária nos meses de Março a ]unho, declinando rapidamente em ]ulho e extinguindo-se em Agosto. 

Numa população calculada em 80.000 habitantes terão morrido cerca de 3.261. A violência do surto epidémico parece ter surpreendido o governo liberal que inicialmente reagiu lentamente e com hesitação. É verdade que logo após a irrupção do surto de cólera e durante o cerco actuou drasticamente, apesar das dificuldades militares e da pobreza de recursos, estruturando os socorros públicos de ajuda à população. Para tal criou uma comissão de médicos em serviço permanente para aconselhar e pôr em execução medidas necessárias como: instalação de hospitais para os doentes, organização da assistência ao domicílio, limpeza das ruas, prisões e habitações, enfim tudo o que fosse urgente para exercer a vigilância sanitária. Não obstante, a eficácia demonstrada foi tardia e não explica o erro inicial. É possível que a situação crítica do ponto de vista militar tenha levado a autorizar o desembarque dos belgas com receio de que uma recusa tivesse efeitos negativos no recrutamento de tropas mercenárias na Europa. (…)[2]

A epidemia atingiu, pois, muitas famílias portuenses que viram falecer desta doença alguns dos seus membros. Assim aconteceu na minha.

Joana Rosa da Graça, minha 5ª avó materna, faleceu a 13  de Junho de 1833, vítima da cólera no hospital improvisado  de S. Pedro de Alcântara, estabelecido na Quinta do Monte de Santa Catarina e que fora pertença dos Frades da Congregação do Oratório. E não fosse o seu viúvo pretender casar de novo, eu teria ficado na ignorância de um história de família com o seu quê de singular, pelo menos aos meus olhos de hoje, já que no passado tal situação seria relativamente vulgar.
E com quem casa o meu 5º avô em 1851?
Com Joaquina Rosa da Graça, irmã mais velha da sua primeira mulher, e com quem tivera filhos desde Agosto de 1834, o que significa que iniciou este relacionamento logo após a morte da primeira mulher. Os filhos são legitimados na altura do casamento, conforme consta do respectivo registo:
Vítor Rodrigues Cardoso, nascido em 4.8.1834  e casado em Miragaia, em 1859;
Eduardo Rodrigues Cardoso de Lemos, nascido em  5.3.1836
José Joaquim da Graça Rodrigues Cardoso, nascido em 3.4.1837. casado em 1857 no Rio de Janeiro, onde era caixeiro, e aí falecido em 1868;
Cristina Augusta, nascida em 15.9.1838

Na participação do óbito de José Joaquim aparece ainda  um José Rodrigues Cardoso de Lemos, que não averiguei quem fosse...

Partilho aqui esta história familiar, menos pelo interesse que possa ter em si mesma para quem não é da família , mas porque a considerei interessante por outros dois motivos:

1º o saber não ocupa lugar e a minha gente  ( e não só...) ficará a saber um pouquinho mais...
2º em genealogia nunca a investigação está acabada... novos documentos poderão vir a enriquecer esta história...
3º os mais imaginativos poderão criar estórias - que até possam servir de "hipóteses" para que se tornem histórias!


[1] Lusíada. História. Lisboa. II Série, n.° 1 (2004) Imaginario Social das Epidemias em Portugal no Seculo XIX, p. 95-125
[2] É certo que os liberais não foram os únicos a errar neste quadro político e militar. O governo miguelista só muito tarde se apercebeu do perigo de contágio (…) que a capital corria devido aos contactos com Aveiro e outros portos da Europa já atingidos (…)Assim, assoberbado com a preeminência das acções militares, reagiu tardiamente acabando por organizar hospitais para os doentes de cólera e tomar medidas de emergência para travar a propagação da epidemia semelhantes às do Porto.Ver o artigo citado para a extensão da epidemia a outras regiões de Portugal.

kwADPorto

1 de agosto de 2017

1 de agosto de 2017 por Manuela Alves comentários
Um dos efeitos colaterais da investigação genealógica é o desejo de conhecer os locais que foram o chão dos nossos antepassados, alguns deles completamente desconhecidos e sem qualquer reminiscência nas memórias familiares transmitidas oralmente.


Desenho de Eduardo Salavisa - Rua de Santa Maria, Guimarães



Agora que uns regressaram de férias e outros estão de partida e, enquanto esperamos pelos vossos textos, inspirados na evocadora fotografia do João Gonçalves, sugerimos o tema que dá o título a esta postagem.  A vossa participação enriquecerá o nosso blogue e, também, as vossas memórias para as gerações que nos seguem...

Mãos à obra, registando visual e oralmente o vosso turismo genealógico.... Ficamos à espera, no local do costume, o mail do Genealogia FB.


30 de julho de 2017

30 de julho de 2017 por Genealogia Fb comentários
Colecção de assentos encontrados "aqui e ali" e que, pela sua invulgaridade, linguagem, ou simples nota de humor - ou ainda por abrirem uma janela para as mentes do passado - achamos por bem reunir. Outros mais se seguirão, na melhor oportunidade. (Clicar nas imagens para aumentar).


Era homem

«Luísa Paula que assim se apelidava e depois de sua morte se descobriu ser homem e não mulher como se inculcava o qual se chamaria Luís cujo sobrenome se ignora como também a sua naturalidade, assim como se casado ou solteiro cujo morava na viela das Liceiras do Mendes...»
Partilhado por Manuela Alves; Fonte: ADPRT, tif 471, 1828

O Mosquito

Digitalizado e preservado para a posteridade.
Partilhado por Sarah Geoffrey, sem indicação de fonte

Nascidos a 30 de Fevereiro

Partilhado por Luís Salreta e Lia F Sete, sem indicação de fonte

Manuel & Manuel

O cansaço e as distracções podiam dar no casamento de um Manuel Rebelo com um Manuel dos Santos...
Partilhado por João Naia da Silva, sem indicação de fonte

A ira do visitador

O pároco era muito trapalhão e negligente, ficando muitos assentos incompletos. O visitador percorreu o livro deixando os seus comentários mordazes por baixo de muitos assentos. Na primeira imagem pode ler-se «A 20 baptizou o mesmo padre a Maria» e logo por baixo a nota do visitador: «e pregar no deserto». Na imagem seguinte, «No mesmo dia baptizei a Simoa filha de» a que o visitador replicou escrevendo: «e malhar em ferro frio». O livro está repleto deste tipo de observações deste bem humorado visitador.
Partilhado por José Pessoa; livro misto 1604 - 1612 de Loreto, Lisboa, tif 179 e 90

Encontro com João de Deus

E a juvenil irreverência dos seus dezassete anos no termo de encerramento de um Livro de Casamentos de S. Bartolomeu de Messines (1677-1699)
«S. Bartolomeu de Messines 31 de Setembro de 1847. João de Deus de Nogueira Ramos.
Estudante de Latim, depois de haver estudado Direito na Universidade!!!!!
Vós oh olhos que por acaso vierem um dia a passar por aqui; lembrai-vos que sempre houve gente desvairada ... .
...aqui, além, acolá, depois de amanhã, logo, depois, até sempre...
Ah! ah!...ah!...ah!...»
Partilhado por Maria Isabel Frescata Montargil, Livro de Casamentos de S. Bartolomeu de Messines (1677-1699)

Feito com gosto, parido com dores

«... apareceu uma criança à porta de Manuel Fragoso da Rua de S. Miguel, embrulhado em uns panos velhos metido em uma cesta e trazia um escrito do teor seguinte = Este menino foi feito com gosto parido com dores criam-no os senhores vereadores foi em xeprado [ensopeado?] chama-se Bento José= e não se continha mais no dito escrito e foi baptizado solenemente em o mesmo dia...»
Partilhado por Manuela Castelão. Fonte: Livro de baptismos de Ovar de 1727- 1733, Tif 0296.

7 casamentos

«... baptizei solenemente um indivíduo do sexo masculino a quem dei o nome de Aniceto que nasceu nesta freguesia (...) filho legítimo primeiro deste nome e do sétimo matrimónio de Joaquim dos Santos Correia...»
Partilhado por Samuel Tomé, sem indicação de fonte.

Comida pelos lobos

«Em o primeiro dia do mês de Fevereiro de mil oitocentos e vinte e sete no Adro da Igreja de Carvide foi sepultado parte do corpo de Maria filha de Manuel Heleno e de Maria Joaquina de idade de doze anos morta e comida pelos lobos no pinhal Manço(?) guardando gado. Para constar fiz este assento que assino»
Partilhado por Carlos Franquinho, leitura de Madalena Campos. Fonte: Óbitos de Carvide, Leiria (não está online).

Uma de muitas mortes de parto

«Teresa Maria Lourença do lugar de Covas desta mesma freguesia, mulher que foi de António Rodrigues, faleceu aos vinte e cinco de Agosto do ano de mil e setecentos e sessenta e três, só com o sacramento da penitência, e este sub conditione, por se duvidar se estava ainda viva porém assegurar o cirurgião que não dava sinais de vida, e morrer de parto trazendo duas crianças, e lhe morrer uma na barriga que levou consigo para a sepultura, e a outra escapou, e se baptizou, e por esta razão não deu lugar a sua tão repentina morte, a se lhe acudir mais cedo, pela qual causa também não fez testamento...»
Partilhado por Belo Marques, sem indicação de fonte



29 de julho de 2017

29 de julho de 2017 por Genealogia Fb comentários

Por Madalena Campos

Foi no “escritório velho”, como era designado, agora numa parte da casa que deixara de ser utilizada, de avô e bisavô do meu marido, que vim a perceber a que me dedicar com entusiasmo nos anos seguintes ao cessar da vida activa.

Fotografia de João Gonçalves


Tendo esse avô sido um homem que arquivava toda a correspondência recebida e expedida, havendo inúmera documentação desde o século XVII referente a prazos, heranças, compras, vendas, processos, diários, fotografias, revistas culturais antigas, recortes de jornais, passaportes, bilhetes de navios, pareceu-me haver em arquivo material suficiente, a constituir uma óptima fonte para continuar o trabalho dum tio padre, o Padre José Monteiro de Aguiar, que já tinha estudado a genealogia de duas casas da família, a do pai e da mãe, com dados que eram do conhecimento familiar, e por pesquisa presencial na Torre do Tombo.

A partir das genealogias dessas duas casas e consultando o etombo, parti à procura dos outros nomes de quem permitira a existência dos meus filhos, pela parte da avó paterna, tendo nessas outras fontes pessoais excelente complemento para perceber a que se dedicavam, com quem interagiam, até a traçar-lhes um perfil.

Foi aliciante ver que muitos desses nomes constavam dos documentos existentes nesse escritório e até outros nomes que fui encontrando nos assentos da freguesia e freguesias limítrofes, permitindo conhecer o relacionamento existente entre eles, em termos de parentesco, de amizade, negociais.

Houve na casa um homem a quem estiveram hipotecadas algumas quintas conhecidas, transmitidas a várias gerações. Um homem de negócios financeiros, efectuados em escritórios do Porto e Lisboa. Foi a esse homem a quem roubaram na ocasião da sua morte uma caixa de moedas de ouro existente perto do seu leito. Há um depoimento feito por filho, padre dominicano, que se encontrava no quarto, por onde passaram muitas outras pessoas, depoimento encontrado nesse escritório.

Há cartas de pais para filhos, de filhos para pais, ajudando a perceber os seus percursos. Diários em que são relatados acontecimentos especiais, como nascimento de filhos, falecimentos de esposas, júbilo por uns e dor por outros; fenómenos naturais ocorridos; caderninhos de receitas, uns, outros com formas de fazer face a maleitas várias, de orações, até de cantigas.

Foi graças a esse escritório que senti o gosto pela pesquisa genealógica de todos os membros da família, por todos os ramos, a que me tenho dedicado, para transformar o passado esquecido no presente em presente dando vida ao passado.


Texto inserido na série Do passado esquecido no presente ao presente dando vida ao passado

27 de julho de 2017

27 de julho de 2017 por Genealogia Fb comentários

Por Maria Isabel Frescata Montargil

Muitos anos passaram desde esta foto até ao dia em que me tornei sua neta… 
Eu, que avó de netos crescidos sou agora !
E, contudo, reconheceria sempre este rosto … a vivacidade, o brilho subjacente nos olhos embaciados. A voz …
Nos muitos dias, nas muitas noites com ela vividas, contava-me histórias de um mundo então já antigo . À luz do candeeiro de petróleo, que o “luxo” da electricidade ainda não existia. Histórias passadas lá longe, na vila; lá longe, na aldeia. Histórias que ouvira, de gente há muito desparecida. Histórias vividas junto ao castelo, salteadores terríveis que apavoravam gentes e povoações. Epidemias de funestas consequências por tempos de guerra e de que ouvira falar … Outras que vivera!
Allan Poe invejaria aquelas noites … Enquanto ajeitava as brasas a esmaecerem na fogueira (para quê a tenaz ? Os (calejados) dedos eram para tal óptimos), olhava-me. Num olhar de malícia e cumplicidade, que viveria para sempre comigo. Soltava uma gargalhada fina, a cortar a noite e os tempos ….



25 de julho de 2017

25 de julho de 2017 por Manuela Alves comentários

Casa do Largo, no Porto

              
Encontrei no Porto Desaparecido esta fotografia, proveniente do Arquivo Histórico Municipal do Porto,  que julgo ser a última da Casa do Largo, a casa dos meus bisavós,  onde eu nasci e, antes  de mim,  os meus tios avós desde 1911, e o meu tio materno Arnaldo José, em 1926.
Quando a casa do Largo da Cividade ou Largo do Corpo da Guarda, passou para a posse dos meus bisavós, em 1911, ainda não estava dividida. Isso só deve ter acontecido depois da morte da minha bisavó em 1920. E na parte dividida, à esquerda, por cima do estabelecimento de armador (funerário)  do meu bisavô José Maria da Silva passou a habitar a D. Lucília, professora primária, e seu marido, o coronel Machado.


2 registos da mesma casa com 30 anos de diferença - a casa foi comprada em 1908 ,pelo meu trisavô, teve obras e só passou a ser habitada pela sua filha única, Berta e sua família em 1911.

E como as memórias são como as cerejas, evocar o passado é também evocar as memórias dos vizinhos que povoaram os espaços dos nossos antepassados e quem sabe, dar pistas a seus eventuais descendentes que nos leiam. E cá deixo um exemplo:
A D. Lucilia era irmã da D. Irene Castro, também professora primária, casada com um advogado, pais do Professor Armando de Castro, da Faculdade de Economia do Porto e  do Dr. Raúl de Castro (e também do Amilcarzinho e da Ireninha, no tratamento familiar que era usado lá em casa). Ah mas há mais memórias. A Dra Isabel Machado, casada como Dr. Octávio Abrunhosa, professora e depois minha colega no Colégio de Nossa Senhora da Esperança, e mãe do Pedro Abrunhosa, era sobrinha do coronel Machado, casado com a D. Lucília (este casal não teve filhos).
E para terminar: na casa pegada, do lado direito vivia o ourives (creio) Guilherme Penafort de Campos, com estabelecimento no rés do chão, pai da amiga de infância da minha Mãe, a Lininha (Carolina) Campos. Esta veio a casar com o Dr. Raul de Castro.

E fica para outra altura uma história deste casal, que, fugido às perseguições da PIDE, esteve escondido  na nossa casa de Gaia, para onde tínhamos ido viver, quando a casa do Largo foi expropriada.


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